segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tão tanto

Tão bobos os medos, tão desinteressantes as fantasias, tão cruéis os
dias sem dias...
Tão ridículas as fraquezas, tão desnaturados os orgulhos, tão
indecentes os amores
Tão mal faladas as dores, tão malfadados os desejos, tão insossos os beijos
Tão misterioso o viver, tão desgostoso amanhecer, tão estranhas as cores
Tão tristes as manhãs, tão saborosos rancores, sem os quais se quer morrer
Tão infelizes as tardes, mais infelizes as noites, apenas feliz o sofrer
Tão dia já chegou, tão noite no viver, tão longas as estradas do perdão
Tão risonha chuva, tão amargurada lua, solar das minhas angústias
Tão desatinado pensar, tão sofrível gostar de quem não está
Tão triste imaginar que esse alguém nunca mais estará lá onde deveria ficar
Tão perdidos os sentidos, sem o teu calor amigo para chorar
Tão noites meus dias, tão tristes as alegrias, quando tu não estás.
Tão duro sonhar sem poder sarar as dores que doem sem pudor.
Tão desonesto querer o que não se pode ter, o que não se pode amar
Tão desonrado favor, tão indecente estupor da tua ausência tão presente
Tão presente o presente, tão inesquecível o pesar do teu corpo sobre o meu
Que apesar de tudo continua tão vão na manhã do nosso adeus.

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