sexta-feira, 23 de setembro de 2011

E ela tinha isso: um sorriso que despertava em mim a maior das fomes do universo. Vontade de absorver, engolir sem mastigar, de ingerir plenamente aquele sorriso que não era feito de dentes e lábios, mas de luz e prazer.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Não um mero jogo de palavras...

Não há sono quando se quer sonhar, não há sonhar quando sequer dormir se pode... tenho um sono meio inerte, um sono meio palavroso. Meu sono é eloquente, poucas vezes falei tanto quanto falo ao dormir: cada tremor de pálpebras traz consigo um pouco da minha história e cada pesadelo diz muito sobre minhas dores. Dormir é uma forma de não ver, ou fingir que não se sabe... mas a cada grito do mundo, desperto, ou insiro tais gritos nos meus próprios sonhos. Juntam-se, aos berros, meus berros e os berros do mundo e eis que meu sono é invadido por uma gritaria sem fim. Falo, falo muito, mas nada digo, ou por vezes prefiro ouvir sem escutar, ou mesmo tocar sem sentir. Sonhar sem sonhar também é possível, bem como acordar sem despertar. Simplesmente parece melhor não entrar em contato, com tato, contatar, como tá, está...e fica!

A metalinguagem da loucura

A loucura ensina sorrateiras lições, puxa o tapete da razão, subverte a lógica compartilhada e insere a sua própria, sem pudor, despudoradamente, sem pedir licença, sem dar bom dia. A loucura não está para ser entendida, ela se ri do teu esforço cartesiano, gargalha do teu quadradismo técnico e zomba da tua angústia com ares de superioridade. A loucura é um saber que não se circunscreve, não se submete, que não se encaixa no continuum de sentido que usamos para entendê-la. Sua coerência é intocável, inegável e, por vezes, inenarrável. A loucura é um bicho feroz, indomável, selvagem por natureza, que não se adapta a cativeiros, quaisquer que sejam eles. A loucura apraz-se de si mesma, autossuficientemente, e te desperta risos trêmulos de ansiedade. A loucura amiúde amedronta, causa pânico, insônia, critérios diagnósticos da loucura curiosa que causa nos não-loucos... a metalinguagem da loucura!