quarta-feira, 23 de março de 2011
Quisera eu escrever em versos!
terça-feira, 22 de março de 2011
O Agnóstico e Deus
Se Deus existe, que ele nos livre do racionalismo excessivo, do positivismo inveterado, da cientifização desnecessária de toda e qualquer realidade.
Se Deus existe, que ele me proteja de mim mesmo quando eu me tornar insuportável a meus próprios sentidos, e que te proteja de mim também quando eu não for a melhor das companhias.
Que Deus me salve, caso exista, da agigantação de homens eternamente pequenos, da exacerbação da injustiça e de todos os vícios que não me tragam apenas prazeres.
Que Deus me ajude a lutar pelos meus ideais, mesmo que de tão caducos eles não se façam mais compreensíveis a si mesmos; que me ajude a esquecer aquilo que se revela danoso e atemporal em minha memória.
Que me livres, ó Deus, caso existas, das mazelas do mundo doente, das enfermidades do corpo e das doenças terminais que acometem a alma.
Se Deus existe, que o caminho se mostre menos nublado, que a clareza das minhas ideias ilumine o meu porvir e que eu não me perca nos labirintos de meus próprios medos.
Que Deus cuide dos meus mortos, caso exista, e que me ajude a enfrentar minhas mortes em vida, de modo que eu seja capaz de me revitalizar a cada dia e de ressuscitar ante meus inúmeros e dolorosos lutos.
Que meu Deus não me falhe, caso exista, quando eu tiver de me envolver na guerra dos homens, e que eu não esmoreça ante tanta destruição sem sentido. Que eu não me renda diante das lutas de uns poucos que são vendidas como o interesse de muitos.
Que eu caia em mim quando minha loucura se converter num animal indomável capaz de se auto-mutilar, e quando minhas paixões furiosas me fugirem ao controle.
Que eu desafie cada dificuldade com olhos de amanhã, e que meu futuro ao menos tangencie a realidade que oniricamente construí.
Se existires, Deus, faze com que antes de acreditar em ti eu tenha fé em mim mesmo e no meu poder transformador, para que eu não apenas chore quando o aparentemente incambiável desafiar meus olhos.
E que, finalmente, eu tenha clareza de pensamento para aproveitar as dádivas em vida e que as reconheça enquanto tal, a fim de que meus lamentos e arrependimentos se deem no meu próprio trajeto em busca da felicidade.
Se não existires, terei de fazer tudo isso sozinho e eis que me deparo com a grande fraqueza humana: o medo de ser senhor de seu destino e de ter de enfrentar a si próprio sem ter a quem recorrer.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Nós, no caminho
Já não há razão para supor que o melhor caminho é esse no qual já nos encontramos. Seguir o vento, seguir a intuição, a bússola de vida... qual caminho mal traçado nos espera? Que tipo de obstáculo nos levará a transpor? O fato é que desejo que me dês a mão, para que juntos possamos cruzar o breu dos dias e a luminosidade intensa das noites escuras. Não há o que temer. Nossos medos não fazem sentido quando estamos juntos; eles parecem deuses perdidos no frio da existência! Mas se algo corta o que amorosamente nos liga, somos fracos, caímos de joelhos e sem forças para continuar. Sinto, porém, que não nos desligamos, mas que escolhemos, por acidente talvez, caminhos diversos, e nossos sóis nos guiaram por diferentes possibilidades da bifurcação que está logo ali à frente. O sul do horizonte será nosso norte e lá nos encontraremos de novo. Estaremos mais fortes e mais certos das nossas necessidades mútuas, sedentos do que foi deixado para trás e que ulula tal qual o mais feroz e triste dos bichos! Não tenhamos medo de nos tocar novamente. As diferenças que surgiram da nossa odisseia individual apenas revelam o quão imensamente podemos nos completar e o quanto as polaridades são interdependentes e atraentes. Após tenebroso inverno, podemos ter clareza de que o frio da solidão não é a estação que procurávamos, e que o verão, repleto dos calores do abraço teu, está cada vez mais próximo e acessível. Posso sentir o pulsar do teu coração ao longe e ele, sim, me guiará para onde eu devo estar e de onde nunca deveria ter saído. O destino foi traçado por nossos desejos e dele pode ser feito o que quisermos. Não há força capaz de mudar isso!
domingo, 20 de março de 2011
Manhãs de domingo
A verdade é que não sei se são de fato as manhãs de domingo mais admiráveis que outros dias e horários quaisquer ou se sou eu quem me desnudo das minhas dores, tristezas e desesperanças quando tal manhã irrompe a existência. Se ela não servir de nada mais, cumpre a nobre função de nos fazer olhar para o que há muito fora esquecido e de nos imprimir mais ânima àquilo que era feito sem que se enxergasse um porquê.
Nas manhãs de domingo tudo parece recuperar o sentido e tudo recobra consciência. Nada se passa automaticamente, tudo docemente se apresenta ao crivo do nosso eu.
Aos domingos de manhã tudo volta ao seu devido lugar. O que já foi, volta ou pensa em fazê-lo; o que ficou, sonha pegar o próximo trem; o que se destruiu, passa a desejar uma nova construção; o que morreu, nutre-se de vida no ventre da terra...