quarta-feira, 23 de março de 2011

Quisera eu escrever em versos!

Invejo, logo admiro, quem consegue escrever poesias em verso, quem consegue produzir rimas ricas e ser parnasiano ao menos uma vez em sua existência. Admiro sonetos, toda sua coerência interna e estrutural. Entretanto, tenho que admitir que é a poesia em prosa quem me faz sentir vivo, quem me alimenta no meu encontro diário com minhas angústias, quem me fornece champagne nas minhas alegrias e docemente brinda-me fitando os olhos. Não posso ser suficientemente conciso para escrever poesias em verso, pois o que sinto não cabe na métrica, não permite margens, tampouco regras. Não há governo para o que sinto, as palavras me são absolutistas e delas é a minha vontade. A prosa me invade ditatoriamente e eu só posso lhe fornecer meus temas, meus porquês e minhas ideias soltas ao vento. Não há coerência na escrita, há coerências de leitura e estas podem ser as mais variadas. A incoerência também é um tipo de coerência, mas um tipo perturbador de coerência. Mas o fato é que admiro quem domina a arte dos versos, ou quem é dominado por ela... quisera eu algum dia conseguir fazê-lo!

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