domingo, 20 de março de 2011

Manhãs de domingo

As manhãs de domingo são as mais belas. Parece que toda aquela escuridão que se interpõe entre o ambiente e nossa percepção dele também tira folga no dia do Senhor. As coisas parecem transcorrer com um pouco mais de suavidade, as nuvens tranquilamente deslizam no macio do viver dos céus, os passarinhos cantam uma afinada canção regidos pela orquestra da natureza...

A verdade é que não sei se são de fato as manhãs de domingo mais admiráveis que outros dias e horários quaisquer ou se sou eu quem me desnudo das minhas dores, tristezas e desesperanças quando tal manhã irrompe a existência. Se ela não servir de nada mais, cumpre a nobre função de nos fazer olhar para o que há muito fora esquecido e de nos imprimir mais ânima àquilo que era feito sem que se enxergasse um porquê.

Nas manhãs de domingo tudo parece recuperar o sentido e tudo recobra consciência. Nada se passa automaticamente, tudo docemente se apresenta ao crivo do nosso eu.

Aos domingos de manhã tudo volta ao seu devido lugar. O que já foi, volta ou pensa em fazê-lo; o que ficou, sonha pegar o próximo trem; o que se destruiu, passa a desejar uma nova construção; o que morreu, nutre-se de vida no ventre da terra...

Não há incoerência matutina aos domingos. Tudo se encontra numa amada e esperada paz. Amiúde se deseja parar o tempo ou se cogita que todos os dias poderiam ter a dádiva de ser, ao menos uma vez por ano, uma manhã de domingo. Entretanto, só sabe a luz quem conhece a treva, logo se há semanas de apenas manhãs de domingo, as manhãs de domingo já não mais seriam manhãs de domingo, e tudo feneceria, sem ordem, sem razão, sem porquês, sem nada!

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