quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A metalinguagem da loucura

A loucura ensina sorrateiras lições, puxa o tapete da razão, subverte a lógica compartilhada e insere a sua própria, sem pudor, despudoradamente, sem pedir licença, sem dar bom dia. A loucura não está para ser entendida, ela se ri do teu esforço cartesiano, gargalha do teu quadradismo técnico e zomba da tua angústia com ares de superioridade. A loucura é um saber que não se circunscreve, não se submete, que não se encaixa no continuum de sentido que usamos para entendê-la. Sua coerência é intocável, inegável e, por vezes, inenarrável. A loucura é um bicho feroz, indomável, selvagem por natureza, que não se adapta a cativeiros, quaisquer que sejam eles. A loucura apraz-se de si mesma, autossuficientemente, e te desperta risos trêmulos de ansiedade. A loucura amiúde amedronta, causa pânico, insônia, critérios diagnósticos da loucura curiosa que causa nos não-loucos... a metalinguagem da loucura!

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