Não há sono quando se quer sonhar, não há sonhar quando sequer dormir se pode... tenho um sono meio inerte, um sono meio palavroso. Meu sono é eloquente, poucas vezes falei tanto quanto falo ao dormir: cada tremor de pálpebras traz consigo um pouco da minha história e cada pesadelo diz muito sobre minhas dores. Dormir é uma forma de não ver, ou fingir que não se sabe... mas a cada grito do mundo, desperto, ou insiro tais gritos nos meus próprios sonhos. Juntam-se, aos berros, meus berros e os berros do mundo e eis que meu sono é invadido por uma gritaria sem fim. Falo, falo muito, mas nada digo, ou por vezes prefiro ouvir sem escutar, ou mesmo tocar sem sentir. Sonhar sem sonhar também é possível, bem como acordar sem despertar. Simplesmente parece melhor não entrar em contato, com tato, contatar, como tá, está...e fica!
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