Poucas foram as vezes em que a tristeza, de tão grande, modificou visivelmente meu rosto antes fingidamente impassível. Dessa vez não há forças para apenas sentir sem que o mundo saiba a respeito, é preciso expressar a dor, tal qual uma dor oriunda de estimulação física externa.
Uma vontade de me entregar no abismo do meu sentimento, de me lançar nele numa queda constante, quiçá inacabável, e me precipitar no fundo do que sinto. Chamo tristeza a isso, para simplificar, mas bem sei que o que agora se apresenta a mim é um amálgama de afetos, um Frankenstein sentimental, uma Quimera composta por coisas que mal sei nomear; apenas sinto e isso é mais do que suficiente para castigar o sujeito que trago comigo, para me atingir em minha individualidade e destruir o edifício de certezas que outrora erigi.
Nenhum comentário:
Postar um comentário