segunda-feira, 23 de maio de 2011

Essa tal coisa inominável

O que é isto que me corrói os anseios?

Uma força poderosa assim de quem sinto apenas a mão

Firme e pesada sobre minha vida.

Quem lhe outorga o direito de me tolher os movimentos?

Quem lhe confia a influência sobre meus desejos mais genuínos?

Onde estão os meus direitos?

Quem tripudiou sobre minhas alegrias?

Onde está a força invisível que regula minha atenção

E controla minhas memórias?

Sinto apenas que é difícil lutar contra um inimigo

Que esconde a face

Que tem medo de revelar-se enquanto ser

Que apenas fere por trás!

Ora, mas que ato covarde!

Não te envergonhas dos ataques sorrateiros?

Acaso te orgulhas de imiscuir-se nas minhas sombras?

Onde estás?

Deixa-me devolver a bofetada cotidiana!

Concede-me a doce oportunidade de cuspir minhas fúrias em tua face!

Permite-me pisar nos teus lamentos!

Mostra-me tuas dores para que delas eu ria!

Evidencia tuas feridas para que eu as toque com o dedo!

Oferta-me a realização sádica de nutrir-me às tuas custas

E à tua revelia!

Aceita por um momento que eu parasite tuas energias

Em forma de vingança ou justiça!

Ora, não sejas um rato moribundo e fétido!

Dá cá tuas cordas existenciais para que eu te enforque!

Oferta teu pescoço ao estrangulo!

Dá-me teus pensamentos-navalha para que te degole!

Aonde vais?

Sei que ainda estás aqui

Sinto tua presença em forma de peso

Um peso sobre meus pesares todos

Mas é preciso que se preserve a dignidade

Ao menos respeita meus sonhos

Deixa-me divagar nas minhas ilusões oníricas

Em paz!

Até entre os inimigos pode haver respeito!

Até entre os inimigos pode haver trégua!

Até em tempos de guerra pode haver acordo!



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