quinta-feira, 28 de julho de 2011

Meu caminho

Tenho estado a procura do meu caminho. Um caminho reto, muito embora curvas façam bem, mas reto em termos de objetivos; para que eu saiba onde estou indo. Quero poder olhar para trás e para frente, sabendo o que me espera e o que já passou. Quero ter a visão do passado e do futuro, ali, disponíveis ao meu bel-prazer. Quero um caminho no qual eu possa andar só, quando me convier, onde me seja possível pisar nas folhas perfumadas do outono, ou mesmo varrê-las do chão quando me incomodarem. Quero ser senhor do meu caminho, em regime ditatorial, fazer dele o que eu bem quiser.

Aos que espiam por sobre os muros, alerto que não venham, pois meu caminho, apesar de reto, pode se tornar labiríntico. Meu caminho não faz sentido para vocês, cada qual deve buscar seu próprio. Há aqueles que precisam deixar marcas no caminho para saber voltar, joãozinhos, marias e teseus. Mas não preciso disso. O caminho é meu e, se por acaso eu me perder, será por decisão própria.

No meu caminho há dores, alegrias, saudades... saudades e saudades! Há o brilho do luar e o sol também se faz presente. Nesses eu não posso mandar. Eles chegam e vão embora, cumprem seu ciclo que sempre recomeça. É bem como o meu caminho. Cedo ou tarde acharei que já passei por dado ponto, mas seguirei ainda assim, crente de que se é algo é revisto deve ser importante. E vou aproveitar meu caminho, pavimentá-lo em alguns trechos, permitir que seja esburacado em outros, ou até mesmo que haja ladeiras. Meu caminho deve ser assim como é a vida, e, portanto, não posso impedir que as coisas fluam com certa naturalidade.

Entretanto, sei que todo caminho tem um fim. Não posso imaginar o que sentirei quando a primeira esquina for avistada. Voltar? Não! Esperar? Pelo quê?! Seguir em frente ignorando a nova vereda? Não dá para seguir eternamente em frente. É estratégico voltar, esperar, abrigar-se embaixo de uma árvore para esperar o vendaval passar, cochilar à sombra da vida quando o sol castigar. Não espere que eu responda o que farei quando a esquina invadir minha visão. Eu mesmo não sei. Esteja certo, porém, de que durante todo o caminho pensarei não sobre o que é correto ser feito, mas no que é mister ser realizado.

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